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O que é o AMOR?


Segundo Camões, “Amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente...” Tá, calma aí, porque FERIDA? Eu sempre me perguntei por que as pessoas insistem em dizer que o amor machuca, que o amor dói, maltrata e (o que eu sempre achei a pior de TODAS AS FRASES de amor) que você sofre por amor...

Não discordo de que Camões seja um escritor incrível, mas “ferida”. Mas quer saber, eu concordo com ele, afinal AMOR é mesmo todo “todo esse fogo que arde sem se ver (e só se sente)”.
E porque isso agora? Depois de tantos anos? A resposta para essa pergunta nem eu mesma tenho... Só sei que ando me sentindo “perdida”... Minha vida tem saído do controle. Parece que tudo o que venho fazendo de alguma forma está errada?!


Voltando alguns anos lá atrás (e bota anos lá atrás nisso):

"Hoje andei entre "aspas", pulei vírgulas, trapaceei reticências... E fugi de exclamações! Só para estar ao SEU lado e PONTO FINAL".

Aquilo não tinha o menor sentido para mim, um papel com esta frase escrita (ou impressa) faz algum tempo que já não me lembro desses pequenos detalhes. E pensando e pensando, já não estava mais naquele (nesse) mundo, estava viajando entre aspas e vírgulas, trapaceando reticências (igual aquele desenho “O Fantástico Mundo de Bobby” – aquele que tudo o que ele pensava / sonhava saia da cabeça dele como se fosse um teatro com ele como único espectador, e ele ria das próprias ideias e imaginações), eu fiquei daquele jeito imaginando “aspas gigantes” que estavam ao meu redor e eu correndo como se eu fosse o “bonequinho do Mario”, correndo e pulando as “vírgulas” e “reticências” para chegar ao “ponto final”, e de repente ELA entra no teatro.
Foi bem assim, do nada toda aquela angústia que eu estava sentindo, tudo o que estava passando aqueles últimos três meses de repente a imaginação “A La Bobby”, simplesmente desapareceu e eu me vi olhando para ela, vi todos os nossos momentos, tudo o que tínhamos passado juntas até aquele dia. Todos os risos, as músicas, os sonhos partilhados, tudo. Comecei a pensar em tudo o que partilhamos e chorei... Deixei que as lágrimas rolassem em silêncio, o arrependimento e tudo o que eu estava sentindo, tudo o que havia perdido tudo que havia renunciado... E me veio novamente àquela imaginação “A La Fantástico Mundo de Bobby”, mas desta vez ELA era o meu “ponto final”, ali junto com a plaquinha escrito ganhou estava ela e o todo aquele sorriso que eu tanto amava. E então, eu também sorri, e corri para encontrar com ela (e isso tudo aconteceu em uma questão de segundos só no minha cabeça). E então, ela graciosa do jeito que só ela sabia ser, olhando para cima e pedindo que eu ascendesse às luzes (claro, ela não sabia que eu estava ali, e acho que se soubesse ela teria ido embora, não a culpo, afinal, tudo o que eu vinha fazendo nos três últimos meses realmente devem ter machucado e magoado muito ela. Tanto quanto a mim mesma talvez até mais do que a mim, afinal, eu era a que fazia “e sendo assim, não podia ser a que sofria”).
E foi realmente LINDO, arrisco a dizer MAGNÍFICO, e sem falar SENSUAL o ensaio dela... Já ouvi alguns autores dizerem: “Se eu não estivesse apaixonada por ela, naquele momento teria ficado”. O fato é que mesmo tentando negar e afastando-a de mim o máximo que eu podia eu realmente estava e sempre estive APAIXONADA por ela. Desde aquele primeiro 24 de Abril, desde aquele dia na sacada com aqueles olhos distantes olharam em minha direção (sem me ver, que isto fique bem claro). Eu estava apaixonada por aquela pessoa que eu não sabia quem era. Uma pessoa que eu nunca tinha visto, mas que naquele momento, naquele exato momento me trouxe uma sensação até em tão desconhecida e que eu só soube decifrar (de verdade) uns quatro ou cinco meses depois desse primeiro encontro. E aquele dia em questão já tinha se passado dois anos, foram longos anos... E longas histórias. E com essas histórias, muitos risos.
Mas naquele momento o que realmente tinha importância estava ali fora de meu alcance, longe de tudo o que eu estava tentando construir. Longe principalmente do coração (mas longe porque EU AFASTEI).
E sem pensar em nada, ao ver que perderia a última de todas as chances e olhando mais uma vez para o papel escrito, corri. Desci as escadas e a chamei... Pedi, implorei, chorei, desculpei-me por tudo o que tinha feito; Tudo o que... Por tudo!
Olhar para ela de tão perto (depois de tanto tempo novamente), senti-la nos meus braços em um abraço aconchegante, sentir o toque suave de suas mãos em meus cabelos, isso foi melhor do que o que eu esperava que pudesse acontecer, entretanto ver aqueles olhos tão tristes, aquilo sim foi a pior coisa de tudo o que eu podia sentir naquele momento. Foi como se eu me lembrasse daquela antiga frase escrita:
"Seus olhos são gotas de cristal cheias de mistério, duas estrelas ocultas no obscuro do céu, duas esmeraldas cintilantes que emanam calor e brilho. Eles envolvem sua existência no mundo, duas lagoas tão profundas e inquietas que escondem o amor".
E de repente entendesse, eu jamais poderia tê-la feito chorar. Mas eu fiz... Mas se era meu dia de sorte (ou não), não sei. O fato é que nos acertamos, e mesmo que tudo indicasse que não poderia ser, mesmo que minhas esperanças tivessem se esvaído quando ouvi: - Tem outra pessoa, eu não quero magoá-la! Desculpe. Aquele momento em que você percebe “é tarde, perdi!.
E sem que tivéssemos percebido tínhamos uma plateia, que ouviu tudo o que eu tinha dito, mas o que importava. Não poderia mais ser, eu sabia perfeitamente quem era nossa plateia, somente pelo marejar dos olhos verdes dela. Pela falta de ação, pelo silêncio... Eu sabia que devia me retirar, claro, não sem uma explicação, que ela não quis ouvir indo direto para “aquelas lagoas tão profundas e inquietas que escondiam o amor!” E como se tudo fosse mais provável do que qualquer outra coisa, menos o que realmente aconteceu, eu ouvi: - Vamos aproveitar que ainda é o começo e ninguém vai sair machucada e terminamos aqui... O jeito como você olha para ela... Você NUNCA vai olhar para outra pessoa! Eu estou aqui há mais de meia hora e você nem me ouviu chamando porque estava apenas conversando... Eu fiquei ali atrás, vendo vocês duas e nada nem ninguém no mundo irão separá-las... Aquilo realmente não podia estar acontecendo, eu me virei ainda a tempo dela dizer: “Vocês foram feitas uma para outra!” – E olhando para mim ela disse: “Essa é sua nova chance... Aproveite!”.
Aquilo foi à coisa mais mágica real e significativa que alguém tinha feito por mim...

Foram meses de pura alegria e sonhos sendo realizados... Era nítido o quanto nossas vidas mudaram, o quanto eu estava feliz, o quanto ela me fazia bem e o quanto eu a amava... Mas o melhor mesmo era ver aquele sorriso só para mim, sendo eu a causadora. Aquele brilho que me deixava fascinada. E esse foi outro momento que eu concordaria com os autores: “Se eu já não fosse completamente apaixonada por ela, ficaria naquele momento!”. Era um carinho mútuo, uma cumplicidade sem limites, um cuidado, era todo aquele “fogo que arde sem se ver (...). É dor que desatina SEM doer (...). É um não querer mais que bem querer (...).”. Outra frase que expressava bem o que era tudo aquilo é: “Se está em seu último pensamento antes de dormir. Se sonha durante o sono e acorda pensando antes mesmo de abrir os olhos... Ah! É o AMOR.”. Então, eu AMAVA, e era feliz porque este amor era correspondido, ela me fazia bem a cada minuto que passávamos juntas. E assim veio o ano novo quando ela me pediu que passássemos juntas – sim, com certeza – foi a minha resposta. E naquela onda de promessas do ano novo (ano velho), ela olhou para mim segurando meu rosto entre suas mãos, e falou rindo: "Porque os últimos e os primeiros minutos de cada ano serão SEMPRE seus". Não havia palavras que descrevesse aquele momento, eu e ela. Juntas, finalmente! Um sonho realizado...

Mas no final de tudo, deixei que as pessoas me “domassem” e me fizessem ser o que elas queriam (e não o que me fazia bem e feliz), aceitei o que me era fornecido e me dobrei a vontade alheia, me fiz triste para fazer outros felizes, porque eu “era normal”. Mas o preço que paguei foi caro, muito caro. Somente eu sei (ela sabe) o mal que ser o que eles queriam que eu fosse causou. Depois de tudo, o pedido de namoro de joelho em frente aos amigos, a casa, os sonhos, a cumplicidade, o amor. Ah! O AMOR... Eu simplesmente resolvi que... Resolvi que...
E foi na festa de formatura. LINDA essa era a descrição da roupa escolhida, a aura, a felicidade, o conjunto completo. Insensível (é isso o que fui naquele momento, talvez nomes piores), mas de uma forma louca eu achava que era o certo e mesmo depois de quatro anos. Quatro LONGOS anos que eu nunca tinha dito, eu simplesmente a olhei e falei: “Eu amo você!” – nessa hora eu já estava com lágrimas nos olhos – “Desculpe, eu amo muito você, mas não posso fazer isso! Eu preciso ser a pessoa que ela quer que eu seja; eu preciso ser perfeita ou nunca sereia suficiente. E ser perfeita implica em não ter gostos diferentes, em não ser diferente e em não amar uma... Em não poder amar você... Mas eu amo! E por isso preciso me afastar. Você merece alguém melhor e mais corajosa do que eu.”. – E com esta frase minha vida mudou e voltou àquela rotina “normal”, e foi dessa forma que bruscamente a tirei da minha vida e que sai da vida dela. Perdemos o contato, afinal foi o que eu pedi, supliquei (mesmo sem ser o que eu realmente queria). E só então eu entendi essas partes do soneto: “É ferida que dói e não se sente (...). Se tão contrário a si mesmo é o AMOR.”.

Os anos passaram, mas eu nunca esqueci, nunca deixei de falar. Nunca deixei de pensar... Por sorte, ou destino, senti algo parecido (novamente), mas mais uma vez eu deixei que fosse embora. Mais uma vez eu magoei e mais uma vez eu quis ser a pessoa “normal”, para ser vista e ser suficiente. Ela me fazia muito bem, mas eu não podia deixar que algo parecido com aquele sentimento viesse novamente a tona, não podia, mas deixei... E errei de novo. Errei porque eu não tinha coragem de assumir, errei porque eu ainda tinha esperança de ser suficiente. E novamente deixei que a opinião alheia me moldasse e terminei (claro, que nesse momento o afeto já era bem nítido), o que eu me segurava era distância... Ainda bem que ela existia, ainda bem que...
E mais ou menos da mesma forma (porém desta vez sem dizer) eu sumi, fiz o que achava melhor no momento e mais dor eu trouxe a outros olhos... Mas meu “segredo” estava com os dias contados, o problema era que eu não sabia que existia a possibilidade de tudo vir à tona, se eu soubesse talvez tivesse agido de uma forma diferente. Mas como eu ia prever o futuro? Se tudo o que eu REALMENTE queria era mostrar que eu era aquilo que era esperado de mim, tudo o que eu queria era ser suficiente... Mas sinto que nunca fui, e continuo até hoje sem ser. Sou e sempre serei a diferente de todos; aquela que escolheu o caminho errado e a que leva consigo todas as lágrimas que causou por querer ser outra pessoa e nem mesmo isso conseguiu...

O segredo finalmente foi descoberto e eu... Bom, eu fui viver sabendo que com o segredo descoberto eu seria SEMPRE a errada em tudo. Agarrei-me a pessoa menos improvável, talvez a mais provável no momento. E tenho muito a agradecer a ela, mas nunca foi igual. Desculpe.
Embora não tenha sido igual eu queria que fosse, e fiz de tudo para que fosse pelo menos bom (mas acabei errando novamente), mas desta vez todas as lágrimas que fiz aqueles olhos que eu tanto amei (e ainda amava) eram minhas. Finalmente alguém para me fazer tudo o que eu tinha feito a ela (nesse momento eram elas – em infinitos diferentes, mas de importâncias sem iguais).

É... E assim, acabou. As lágrimas dessa vez eram minhas, porque eu quis que fosse de verdade, eu quis que fosse real, eu quis que fosse igual (eu forcei para que fosse igual) e esse foi o meu erro.

Resolvi que nunca queria mais, que não iria mais. Que ficaria sozinha... Consegui alguns anos depois me explicar e olhar os olhos daquela pessoa que foi realmente importante e foi quando ela me mandou a música: “eu quero saber se você tem um novo amigo, que ama você como eu amei e que também vai te proteger, te dar o que eu não te dei... Me desgrace, me odeie só não te esqueça que eu amei você.”. Foi bem que merecido, mas depois de tudo o que passamos (e não passamos) ela me perdoou, mas já era tarde demais. Ela já tinha outra pessoa. Outra pessoa esta que apesar de todos os defeitos que tinha como “ser humano”, ainda era melhor do que eu, porque nunca tinha feito à merda toda que eu a tinha feito passar.

Mais alguns anos depois disso e finalmente achei que tinha me curado (como assim? Me curado? Eu era a responsável pelas lágrimas e estava me vendo como... Como... Como vítima?! Impossível saber como minha mente perversa trabalha, mas tudo o que eu queria era poder voltar no tempo e nunca, JAMAIS ter feito tantas pessoas importantes chorarem por mim). Em minha mente eu era um monstro... Pois não fui capaz de ser a pessoa que era esperada que eu fosse e não fui capaz de evitar as lágrimas... Delas...

O que eu era então (sou)?!

Talvez minha sina seja justamente essa, carregar essas dores que causei... Mas e QUEM CARREGA as DORES E LÁGRIMAS QUE ME FORAM CAUSADAS? (desculpe, sei que estou gritando... Mas não pude evitar).

Bom se em três vezes nós fomos e voltamos e nada aconteceu... Aquela não seria a vez que aconteceria alguma coisa, não é?! ERRADO! Voltando para casa ele DESVIOU o caminho, eu fiquei calada, não consegui falar nada, estava estática... Quando percebi, estava em um quarto de motel com ele nu na minha frente... Entrei no banheiro... E DROOOOGA não tem porta, sai de lá... Ele me pressionou contra a parede e tentava TIRAR minha roupa... Eu já estava aos prantos, CHORAVA e soluçava... Ele percebeu e disse:

- Pelo menos segura...

Ele colocou minha mão no membro dele e fez os movimentos com a mão dele por cima da minha a fim de que ele próprio se masturbasse usando minhas mãos... Pior tarde da minha vida, senti-me um lixo por não ter gritado, por não tê-lo impedido. Sentia o membro dele em minhas mãos e só chorava. Com a outra mão ele segurava no meu cabelo e no meu pescoço e ordenava no meu ouvido:

- Coloca a boca...

Eu forçava a cabeça para trás para não encostar a boca nele... No fim, consegui evitar colocar a boca e quando ele me soltou e em encolhi no chão do quarto chorando e soluçando. Ele ainda chegou perto de mim, totalmente sem roupa, segurou meu rosto com uma das mãos e com a outra segurou o membro dele encostando-o na minha boca... Então ele disse:

- Cala a boca eu já disse! - Ele forçou mais uma vez, mas eu não abria a boca, então ele desistiu e disse:
- Conte para alguém e faço pior, MUITO PIOR, da próxima vez... - Ele parou me olhou e disse cuspindo as palavras em cima de mim. – Sua sapatão!

Se eu disse que já tinha vivido a pior noite da minha vida... Estava completamente errada. A pior noite foi esta noite aí... E essas lágrimas quem é que carrega? Eu mesma, com certeza devo ter feito muita MERDA para ter acontecido isso, eu sempre me perguntei por que ele fez isso, porque ele fez o que fez... Se na época que ele fez eu nem assumida era, se na época a única pessoa que tinha amado era (foi...) a... (tá não importa o nome dela, afinal, não estamos mais juntas e ela seguiu a vida dela, assim como eu a minha).


E, voltando aos dias atuais, os fantasmas do passado voltam a me assombrar... E eu simplesmente ODEIO isso, gostaria tanto de esquecer. Gostaria tanto que nunca tivesse acontecido, gostaria que tivesse sido um pesadelo... Mas NÃO foi, nem as lágrimas que eu causei e nem muito menos as que me foram causadas. E ainda tinha (tenho) que carregar o fardo de não ser o que foi esperado de mim, de não ser “normal” de ser “a diferente”. Viver a vida que os outros querem (eu descobri a um alto preço) não vale nada se você não está feliz!



Um dia, depois de algum tempo, você SIMPLESMENTE começa a agir no automático. Tenho medo de magoar as pessoas boas que me rodeiam e por isso acabo me afastando delas. As pessoas são boas demais para me terem por perto e esse seria o motivo da minha reclusão? Nem mesmo eu posso responder...



Fujo sempre ao primeiro sinal de eu possa gostar de alguém... Porque não aguentaria novas lágrimas.



Mas no momento, (neste exato momento) tudo o que eu quero fazer é fazer diferente, desta vez... Não fugir ao primeiro sinal de um riso solto e um olhar carinhoso. Quero viver o que este riso e este carinho me proporcionam de bom... Quero devolver os meus risos com juros e correções monetárias em mais risos dela... E quero ser a causadora destes risos e toda esta felicidade.



Bora lá tentar viver e ver no que dá! E aproveitar cada segundo, pois eles não voltam mais e são de extrema importância SEMPRE. Quem sabe não seja esta minha mais nova chance que a vida dá... Para que eu seja, ninguém menos do que, eu mesma... Para que eu seja feliz... Para que eu faça feliz... Mas principalmente para ser o motivo (ou razão) desta felicidade!


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