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Verdades de uma vida...

Dia desses lá atrás, estava eu em uma sapeada pela net e me deparei com um texto: "Nasci assim ou virei?"... Lembro perfeitamente que me vi pensando no assunto, foi então que comecei a lembrar de coisas lá do meu mais terno passado...

Aos quatro anos: Eu adorava ir para a escola (já sabia ler e escrever), mas era minha tia dizer "tchau" e virar para ir embora, deixando eu e meu primo eu chorava (e chorava)... Então veio uma MENININHA com os cachinhos dourados linda, segurou na minha mão e disse: "Vem vou ficar com você, não precisa chorar!" Pronto... Lembro que eu defendia a tal menininha de tudo e todos e sempre andávamos de MÃOS DADAS. Parei de chorar quando entrava na sala, porque a menininha loirinha estava sempre lá me esperando com um sorriso LINDO.

Aos cinco anos: Lembro que muita gente dizia: "Nossa como seu cabelo é lindo!" (Realmente era, preto, bem preto e lisinho...) Era assim meu cabelo. #FATO eu ODIAVA qualquer pessoa que chegasse e bagunçasse o meu cabelo, olhava feio e ficava super irritada, mas, na nova escola, meu primo já não estudava mais comigo... E foi assim no primeiro dia de aula que eu conheci a Rafinha (a menininha ruiva de olhos verdes e sardinhas nas bochechas e no nariz) e que tinha um lindo sorriso e uma voz rouca (tá voz rouca nessa idade?!)... Ela vinha pertinho de mim, dava um sorriso daqueles bem marotos que diziam "vou aprontar", logo em seguida, ela me dava um beijo na bochecha e bagunçava tudooo meu cabelo (apesar de não gostar, com ela era SEMPRE diferente...), eu olhava para ela rindo e dava um BEIJO na bochecha dela... Mas se outra pessoa qualquer fizesse isso, veria a IRA de uma menina como eu.

Esse fato acompanhou até a nova mudança de escola, desta vez aos sete anos... Nessa idade eu comecei a jogar xadrez e sempre que ia ter aulas com a equipe eu ficava olhando para a boca (Quê?! Como assim a boca?!). Isso mesmo, eu prestava atenção na boca das meninas que me ensinavam e NÃO no que elas falavam.

Cheguei aos onze anos (ainda jogava xadrez), minha melhor amiga dizia: "Isso é coisa de gente chata!" Todos nessa idade já não eram o tão falado B.V. (menos eu)... Minha amiga perguntava:

- Porque você não fica com nenhum menino?
- Porque não to com vontade!
- MENTIRA... Você não fica porque quer encontrar um menino loiro de olho azul, não é verdade? (eu dizia que o primeiro menino que eu ficaria tinha que ser loiro e ter os olhos azuis, mas sinceramente acho que eu falava isso, porque não conhecia nenhum menino loiro de olho azul).
Meio sem graça: - É... É isso mesmo Dê.

Um ano depois minha amiga ainda insistia que eu devia ficar com um menino, porque as pessoas (como disse ela) "estavam falando coisas". FALANDO COISAS?! Mas espera aí, eu só tenho 12 anos, não tinha que ficar com nenhum menino pra provar nada a ninguém e falando coisas, falando o que?

Final do ano:

- Hey No... Vamos (eu, você, o Júnior "meu primo"), na formatura da oitava série lá na escola amanhã?
 - Não quero ir não.
- Você vai sim... Advinha por quê?!
- Você vai querer me obrigar a ir?
- Também... Meu namorado (Ah! Ela é era mais nova e já tinha NAMORADO) vai levar o primo dele na festa...
Eu com uma cara "tá e o que isso tem haver comigo" ela continuou: - E o primo dele é loirinho e tem olho azul e quer ficar com você!
- Ih nem rola, nem começa. - Mas o olhar que ela me deu quando eu disse aquilo me fez mudar de idéia e acabei aceitando ir à festa, iria ficar com o primo do namorado dela (iria enfim ficar com um menino).

"Feliz? Eu não sabia definir... Mas..."

O menino até que era bonitinho e meiguinho e super educado, PORÉM... Eu queria comprar algo para beber e disse:

- Vou ali pegar um refri você quer?
- Deixa que eu pego, isso é serviço de homem! (tá aquilo para mim não foi cavalheirismo, para mim foi à maior demonstração de MACHISMO, isso mesmo)... "Quer dizer que homem deve fazer isso (ou aquilo) e mulher aquilo outro?!" eu pensei.

Ele então foi buscar o refri, quando voltou... Eu já sumido dali. Sentei o mais longe possível dele, não ia acabar com a festa do meu primo e da minha amiga, se eu fosse embora teria que chamá-los também. Tinha uma moça sentada e só reparei mesmo nela quando ela disse:

- Tá sozinha?
- Arram...
- Tava dançando?
- Sim...
- Mas já cansou?
- É... (eu monossilábica SEMPRE)

O que mais ela perguntou eu não lembro exatamente, sei que depois de alguns minutos a garota continuava ali sentada ao meu lado. De repente ela virou ficando de frente comigo e disse (sem tirar os olhos dos meus):

- Te achei muito linda... Será que eu posso ter o prazer de provar o teu beijo?

Eu olhei para a garota, com a boca aberta e espantada... Fui logo dizendo:

- Você é louca ou o que? ... Saia de perto de mim...

E me levantei deixando a garota lá... Na verdade, não sai andando lentamente, eu sai correndo em direção ao banheiro... Entrei rápido batendo a porta atrás e nem percebi que a garota veio atrás de mim, fiquei lá dentro trancada pensando: "Que garota mais louca... Direta, porém louca... Tá não posso negar que a garota tem atitude, mas é doida ou o que? Como ela pode vir dizer aquilo pra mim?... Que ela é bonita isso é fato... BONITA?! Como assim bonita?! Acho que sou mais doida do que ela achando ela bonita..."

Resolvi abrir a porta para sair daquele banheiro. Lentamente então abri a porta, antes mesmo que eu pudesse pensar, ou contar "1, 2, 3" ela empurrou a porta e me pressionou na parede do banheiro e num impulso maior ainda me beijou... Foi um beijo ESTRANHO, uma coisa que eu não sabia ao certo o que fazer, minhas mãos estavam suando e eu não sabia onde colocá-las...

Quando paramos de nos beijar, ela sorriu olhando para mim e na mesma hora eu dei um tapa no rosto dela, mas a menina fez mais... Ela me beijou novamente, eu achando que o tapa iria afastá-la de mim... Ela beijou-me novamente.

O mais estranho é que desta vez eu correspondi ao beijo e não foi tão estranho como da primeira vez. Ela estava me pressionando contra a parede do banheiro e segurava em minha cintura com uma mão e com a outra ela entrelaçava seus dedos nos meus cabelos. E dessa vez eu passei meus braços em seu pescoço e a beijei, parecíamos àqueles casais apaixonados de filmes de romance.

Pude sentir o cheiro dela, um perfume adocicado, tinha os cabelos macios, sedosos, as mãos firmes, e os lábios tinham um gosto de morango. Ela mordiscava meu lábio inferior eu fazia o mesmo enquanto nos beijávamos demoradamente. Foi um beijo longo, quente, que começou com pressa e aos poucos foi tornando-se mais terno, suave e calmo. Quando eu abri os olhos e vi o que tinha feito, empurrei com força a menina e sai do banheiro, ainda olhei para trás, a tempo de falar:

- Louca! Doente! Não chega perto de mim... - e SAÍ correndo encontrar minha amiga e meu primo.

Depois desse episódio eu fiquei com um menino porque minha amiga insistia o tempo inteiro que eu deveria ficar e ficar e ficar... Foi num passeio no parque que eu tinha ido, acompanhada de meus primos e minha amiga que tudo aconteceu.

- Ele quer ficar com você.
"Ele era um desconhecido que tinha feito amizade comigo, minha prima e minha amiga."
- Ficar?! Mas como?
- Ficar oras... Beijar e só!

Olhei para ela com uma cara de "você está falando grego", ela falou:

- Vocês vão lá atrás, ele vai te beijar e depois vocês vão ficar juntos e provavelmente ela vai querer andar de mãos dadas com você. Simples assim como tirar doce da mão de uma criança.
- Não sei não!
- Larga de frescura... Ele é bem bonito!
- Tá bom então...

Minha amiga soube que acabei NÃO ficando com o primo do namorado dela, como eu não contei para ninguém do beijo com a MENINA no banheiro, então aquele beijo no parque ficou conhecido como o meu primeiro beijo "oficial".

E depois disso veio o grande amor da minha vida, aquela que penso até hoje na burrada que fiz... Éramos melhores amigas, passei muita coisa para aceitar o fato de que eu gostava dela... Eu não queria aceitar, eu dizia que eu podia gostar de qualquer menino, bastava eu me afastar dela.

Eu não sabia ainda, mas aquele dia iria mudar minha vida... Depois quando eu pensasse naquele dia, teria realmente certeza daquela frase manjada de que "o amor e o ódio, andam de mãos dadas". Anos mais tarde, eu me lembraria daquele dia como o fatídico 24 de Abril.

Tinha um trabalho para fazer na casa de um amigo. Sai da escola, fui fazer algumas coisas que tinha pendentes e pontualmente às 14hs eu estava na frente da casa do Rodrigo. Olhei em volta, e vi uma menina parada encostada na sacada, imaginei que fosse a namorada dele já que ele não tinha irmãs, ela olhou na direção do portão eu acenei para que ela viesse abrir o portão para mim, mas a garota virou o rosto. Eu fiquei tão irritada na hora e pensei: "Que garota ignorante e mal-educada, me viu chamando-a e nem veio abrir o portão!" Toquei a campainha e logo em seguida Rodrigo veio abrir o portão.

Entrei ainda pensando na garota mal-educada que estava na sacada, mas resolvi não perguntar nada.

Depois de quase duas horas fazendo o trabalho, Rodrigo foi à cozinha tomar um remédio, então percebi um movimento atrás de mim, era a mesma menina da sacada... Os cabelos vermelhos e o braço engessado não negavam. Ela ficou me encarando e eu perguntei, não parecendo nada simpática:

- O que foi garota, perdeu alguma coisa?

Ela nem respondeu, apenas deu um sorrisinho meio cínico, aquilo bastou para mim, eu disse:

- Garota que você era mal-educada e ignorante eu já sabia, mas estúpida e metida também está sendo uma novidade!
- E você bem grossa! Já vi que ele não está aqui e já que não tem ninguém aqui vou voltar para o quarto!

E saiu virando de costas sem falar mais nada... Eu fiquei mais irritada ainda com aquela garota petulante... Estúpida, ignorante, mal-educada e arrogante.

Levou meses até que nós nos tornássemos amigas... E no dia que ela foi embora pela PRIMEIRA vez da minha vida... Eu chorei e não sabia bem ao certo o motivo... Nós nos tornamos amigas inseparáveis depois de trocar alguns apelidos carinhosos como "grossa, arrogante, chata e ignorante"...

Eu a convidei em Novembro para ir à minha formatura... Seria uma viagem rápida para uma chácara, um final de semana e lá ela falou:

- Eu vou embora para São Paulo semana que vem.

Olhei para ela com uma carinha triste, eu tinha aprendido a GOSTAR dela e sentiria falta de nossas risadas juntas. Ela percebeu que eu estava com uma cara de choro e disse:

- Hey garota... Lembra... Eu sou ignorante! A cidade agradece minha ausência...
- Ah e além de tudo é convencida também.
- Viu só garota grossa... É assim que se fala...

Então fiquei parada olhando nos seus olhos, eu sentia uma lágrima nascendo bem no cantinho dos meus olhos, ela estava literalmente molhando meus cílios, eu já não conseguia mais esboçar um sorriso, sentia a lágrima passeando na minha bochecha fazendo uma grande curva antes de cair no chão na mão dela que estava em cima da minha perna. Ela passou as costas da mão levemente no meu rosto secando as lágrimas que agora insistiam em aparecer mais a cada vez que ela as secava.

Ela também tinha lágrimas nos olhos e eu sequei suas lágrimas com as pontas de meus dedos, ficamos abraçadas sem dizer nada. Hoje eu sei bem o que a cena significou para mim "Lágrimas são o resto de palavras que não puderam ser ditas". Sentia uma falta imensa dela, mas fazer o que... Ela tinha ido embora! E mesmo que tivéssemos combinado de escrever cartas, NUNCA o fizemos...

No outro ano, um amigo apareceu em casa no primeiro dia de aula e disse:

- Hey... Boa sorte! Dizem que aquela escola é porreta!
- E o que é porreta?!
- É muito difícil passar, os professores são muito chatos e tem muitas normas!

Eu ri dele, dei um beijo em sua bochecha, agradeci, ele foi comigo até o ponto de ônibus e mais uma vez nos despedimos com beijos no rosto antes de eu entrar no ônibus. Eu sentia uma INQUIETAÇÃO que eu não sabia o porquê, tinha algo estranho no ar, eu pensei que fosse medo de encarar uma escola nova.

Não sei bem por que, mas eu pensei em um verso enquanto estava no ônibus, peguei o caderno e escrevi: "Seus olhos são gotas de cristal cheias de mistério, duas estrelas ocultas no obscuro do céu, duas esmeraldas cintilantes que emanam calor e brilho. Eles envolvem sua existência no mundo, duas lagoas tão profundas e inquietas que escondem o amor". Olhei para o que tinha escrito, achei meio SEM NEXO, mas deixei na primeira folha do caderno.

Cheguei à nova escola e estava olhando o mural com a listagem dos nomes dos alunos, precisava saber qual a sala que eu estudaria, escola nova é sempre assim... Distraída olhando os nomes escuto alguém me chamar nas minhas costas, quando olhei INSTANTANEAMENTE meus olhos encheram de lágrimas... Ela tinha voltado...

Abracei, enchi-a de perguntas, beijei seu rosto e nós subimos para a sala de aula de mãos DADAS.

Depois de um tempo era nítido o quanto nós duas necessitávamos da presença da outra. Mas mesmo assim, eu não assumi... Continuei NEGANDO e negando... E um ano depois pedi um tempo para ela... Para que eu gostasse do meu namorado, eu precisava me AFASTAR dela.

Afastei-me mesmo sofrendo, fiquei longe por três LONGOS meses e quando eu chorava trancada no banheiro porque não queria casar com o meu namorado atual, ela apareceu... Coisa de filme... Disseram para ela que ele tinha me batido e eu estava chorando trancada no banheiro, ela não pensou duas vezes, pediu uma escada para o dono da casa onde estávamos e entrou no banheiro pela janela como se viesse resgatar a mocinha.

- Vem minha Butterfly eu levo você para casa. - Engraçado como são as coisas, antes ela me chamava de "garota grossa ou chata" e hoje...
- Mas ele não vai deixar... É meu namorado e eu vim com ele Lynne...
- Antes de ser namorada dele você é minha amiga!

Ela enfrentava qualquer coisa mesmo... Até mesmo um homem de 1,85 metros de altura que poderia num simples empurrão desmontá-la inteira.

Continuei meu namoro com ele, fazendo-o entender que eu não queria casar com ele, não naquele momento.

Um mês depois do ocorrido no banheiro da festa, eu estava no teatro, chorando como sempre. Lá tinha virado o meu ponto de refúgio para CHORAR sem que ninguém visse. Eu reparei que tinha um papel em cima dos equipamentos de som, peguei o papel e fui ler o que estava escrito:

"Hoje andei entre "aspas", pulei vírgulas, trapaceei reticências... E fugi de exclamações! Só para estar ao SEU lado e PONTO FINAL".

Fiquei tentando DECIFRAR o pequeno texto ali, quando de repente ELA chegou e foi ensaiar uma peça, era o último ensaio em dois dias seria a apresentação. Como eu estava na cabine de som, ela NÃO sabia que era eu quem estava ali, foi na salinha ao lado trocou a roupa e começou a ensaiar. Ela estava LINDA naquele vestido vermelho. Ela fazia o papel de uma dama de cabaré, tinha uma cena em que ela dançava, eu a olhava e ADMIRAVA a beleza dela, as lágrimas tinham cessado para darem lugar ao SORRISO e o brilho no olhar.

Olhei e RELI o texto mais uma vez, antes de descer as escadas COREENDO e gritar o nome dela no momento em que ela colocava as mãos na fechadura da porta:

- Lynne espera! Quero conversar com você! - cheguei perto dela e segurei em seu braço e disse num tom quase suplicante: - Por favor!

Ela não falou nada, mas me seguiu até perto do palco. Eu olhava para os olhos dela e via que ela estava magoada, SURPRESA e triste ao mesmo tempo...

- Quero te pedir desculpas!
- Você não tem que me pedir desculpas, você está bem, você está feliz! Eu fico feliz por você...
- Não! E você sabe... Eu não estou bem, não estou feliz! Eu sinto sua falta... Eu quero você na minha vida!

Ela me olhava como se não estivesse acreditando que eu estava realmente dizendo aquilo. Eu continuei:

- Tenho agido como uma tola, uma idiota fazendo o que as pessoas querem que eu faça e não fazendo o que eu realmente quero... Cansei... Eu quero você! Eu preciso de você!

Cheguei bem perto dela e toquei seu rosto com as pontas dos dedos, ela fechou os olhos com o toque. Fiquei assim ACARICIANDO seu rosto por um momento infinitamente longo, sem dizer mais nada... Ela tinha uma lágrima nos olhos que eu sequei com as costas da minha mão.

- Fica comigo?! Perdoa-me... Eu quero você!

Ela abriu os olhos, tirou uma mecha do meu cabelo que estava em meu olho, BEIJOU minha testa e disse:

- Não posso! Agora eu não posso mais...

Ela abaixou a cabeça, eu SEGUREI em seu queixo e fiz com que ela olhasse para mim, ela disse:

- Tem outra pessoa, eu não quero magoá-la! Desculpe. - e fechou os olhos novamente.

Eu a ABRACEI e senti seu cheiro, um perfume amadeirado, gostoso e que combinava muito com ela. Dei um beijo atrás de sua orelha e percebi que com este simples toque ela ficou toda arrepiada, afaguei seus cabelos que eu tanto amava e disse baixinho em seu ouvido:

- N.E.O.Q.E.A.V.

Eu costumava usar essa frase para ela. Ficamos ABRAÇADAS por mais um longo período, até que eu a soltei e olhei em seus olhos. Aquelas duas esmeraldas verdes que cintilavam e brilhavam, mas demonstravam uma tristeza estampada. Então eu disse:

- Um último beijo... Para guardar de recordação! Posso?

Ela sorriu. Foi um sorriso manhoso, gostoso e meigo e disse:

- Você não aprende... Tem coisas que não pedimos nós fazemos!

Dizendo isso ela SEGUROU meu rosto com as duas mãos e beijou. Primeiro beijou minha testa, depois ergueu meu rosto e beijou meu queixo, beijou os lados do meu rosto e por último deu um beijo na pontinha do nariz e ficou parada me olhando. Ficamos com nossas bocas centímetros uma da outra, eu podia sentir o hálito dela, um cheirinho de menta, uma mistura que estava INEBRIANDO-ME. Eu olhava para os OLHOS dela e ao mesmo tempo para sua boca, ela ainda segurava meu rosto com as duas mãos... Nenhuma das duas ousou falar alguma coisa, como se fosse QUEBRAR o encanto daquele momento, eu podia sentir meu corpo inteiro arrepiar só de estar tão próxima dela.

Lentamente eu passei minhas mãos em sua cintura puxando-a para mais perto, foi uma EXPLOSÃO de calor quando eu senti o corpo dela encostando ao meu, pude ver que ela também estava arrepiada. Os olhos dela eram duas esmeraldas em brasas... Como se estivessem REALMENTE pegando FOGO, continuei com a mão esquerda segurando-a pela cintura, a impressão que o momento dava era que se eu a soltasse, ela escaparia, então eu a segurava. Com a mão direita, eu tirei uma mecha de seu cabelo que tinha caído em seu olho e ACARICIEI seu rosto levemente, vi quando ela fechou os olhos ao meu toque e então, nossas bocas se aproximaram e eu a beijei...

Foi um beijo calmo, terno, sem pressa, delicado e tímido... Mas que aos poucos foi tornando-se EXPLOSIVO, compulsivo, profundo e interminável. Fazendo que a paixão do momento rolasse desenfreada, era a minha língua buscando a dela numa velocidade, numa rapidez, com pressa. A língua dela dançava dentro da minha boca, buscando com a mesma INTENSIDADE a realização do desejo, o prazer.

Quanto tempo nós ficamos nos beijando eu não lembro, mas sei que de repente, tinha alguém OLHANDO, como a pessoa entrara ali eu não lembrava, desde que horas... Eu também não sabia, só sei que era a outra pessoa que ela havia mencionado. Tentei ainda interceder por ela, dizendo que o beijo foi culpa minha, que eu a FORCEI... Mas a menina passou por mim e eu de costas, parada, imóvel, não conseguia sair dali... Ela falou:

- Vamos aproveitar que não somos completamente apaixonadas uma pela outra e vamos ficar só na amizade?!

Eu não acreditava no que estava ouvindo e mesmo assim, não conseguia me virar, estava de costas para as duas...

- Vamos aproveitar que ainda é o começo e ninguém vai sair machucada e terminamos aqui... O jeito como você olha para ela... Você NUNCA vai olhar para outra pessoa! Eu estou aqui há mais de meia hora e você nem me ouviu chamando porque estava apenas conversando... Eu fiquei ali, vendo vocês duas e nada nem ninguém no mundo irão separá-las... Vocês foram feitas uma para outra!

Eu me virei e olhei para elas nesse momento, não acreditando no que estava vendo e ouvindo. Ela levou as mãos de Lynne até seus lábios, beijou-a, deu um abraço nela e disse em seu ouvido:

- Seja feliz!

Quando ela passou por mim, ela segurou em minhas mãos, abraçou-me e disse em meu ouvido:

- Essa é sua nova chance! Aproveite...

E saiu do anfiteatro, deixando nós duas ali, fiquei parada, apenas olhando para ela e depois, dei um passo e ESTIQUEI meu braço para que ela tocasse em minha mão e a puxei para perto de mim, abraçando-a e beijando... ETERNIZANDO aquele momento.

No dia seguinte, fugi dela o dia inteiro, não atendi o celular e nem fui à aula... Eu não queria vê-la ou estragaria minha surpresa. Fomos com os atores comer pizza, já era costume comermos pizza um dia antes da apresentação. Ela até guardou um lugar para eu sentar ao seu lado, mas assim que cheguei, olhei-a, cumprimentei de longe e sentei na outra ponta da mesa. Ela não entendeu nada! Rolava também em todas as noites de pizzas um tal de agradecimento disso e daquilo. Depois que o último agradeceu que fizemos o pedido das pizzas, eu disse:

- Gostaria de agradecer a três pessoas hoje...

Todo mundo gritou juntos: - É muita gente! Sai fora... Esquece...

- Não gente... É sério... Eu PRECISO!

E eles ficaram quietos para ouvir o que eu tinha a dizer:

- Primeiro quero agradecer a Bia, amiga igual a você está para nascer viu... Ficou ao meu lado mesmo sabendo de todas as besteiras que eu estava fazendo... Segundo - eu olhei para a professora, sorri, mandei um beijo e disse: - Obrigada por ter proibido eu sair do teatro quando eu quis fazer isso. Aqui é minha vida!

Todo mundo começou a bater palmas e assoviar eu fiz um sinal com as mãos e disse:

- Calma gente tem mais um... - E olhei para todos na mesa, focando meu olhar na direção de Bia, continuei dizendo. - Quero agradecer a esta pessoa em especial por me ensinar o real valor da amizade, por estar ao meu lado em todos os momentos, sejam eles bons e ruins... Agradeço a Deus por você existir todos os dias. Agradeço por ser privilegiada a ver lindo e meigo sorriso, por me fazer rir, por me salvar.

Eu estava em pé, mas no mesmo lugar que eu estava sentada, sai de perto da mesa e comecei a caminhar dando uma volta na mesa, continuei dizendo.

- E como diz o grande compositor Chico Buarque: "Eu acho uma delícia quando você esquece o seu olhar em cima dos meus". E aqui na frente de todos peço-te desculpas por ter sido tola e idiota, por ter feito você chorar. Mas agradeço a essa nova chance e prometo que vou aproveitá-la por todo o sempre.

Parei ao lado da Bia, que estava sentada ao lado da Lynne, peguei uma caixinha preta dentro do bolso do casaco, abri a caixa mostrando duas alianças ali dentro, vi que nesse momento ela abaixou os olhos, não sei o que ela estava pensando. Então eu ajoelhei ao lado delas, mas virei para a Lynne e perguntei:

- Kalynne você quer namorar comigo?!

Nessa hora ela me olhou não acreditando que eu realmente estava fazendo aquilo tudo, segurou minhas mãos, me fez levantar do chão e ficou em pé ao meu lado, sorrindo ela disse:

- Sim... Sim... E sim...

E então eu entreguei a aliança para ela que colocou no meu dedo e eu fiz o mesmo colocando a aliança no dedo dela. E todos riram a aplaudiram e pediram beijo... Claro, eu não pude deixar de beijá-la... A história toda poderia ter sido linda, aliás... Foi linda enquanto durou, mas poderia ter durado mais tempo...

Nosso primeiro Natal e Ano Novo JUNTAS foram lindos, mágico eu diria... Fomos curtir a virada do ano em Bonito e na contagem dos "DEZ, Nove, Oito..." Ela segurou meu rosto e disse:

"Porque os últimos e os primeiros minutos de cada ano SEMPRE vão ser seus". - Lembro até hoje do sorriso dela ao falar isso...

Um ano e meio depois disso, não agüentando mais a pressão da minha família e alguns amigos que dizia eu devia arrumar um namorado, que o povo estava dizendo que eu era sapatão... Não eu não era sapatão... E daí que eu tinha uma NAMORADA, que eu gostava muito dela, que fazia de tudo para que nossas vidas fossem felizes?! Eu NÃO era sapatão... Era só isso que eu pensava... Eu gosto dela... E só dela... De nenhuma outra mulher... Isso não me torna...

Mas a vida e minhas escolhas foram traiçoeiras... Terminei com ela, arrumei um namorado... Afinal era o que todo mundo queria e desejava para mim... Mas eu não estava feliz, não estava bem comigo mesma!

Perdi o contato com a mulher que me fazia bem, com a mulher que eu AMAVA, amei e acho que estaria mentindo se eu disser que não amo ainda hoje... Mesmo sem ter contato, eu sei que é amor... É meu passado mais LINDO, a melhor parte dele!

Terminei com mais esse namorado... E comecei a sair festas e baladas... Afinal estava na idade... Mas o que eu não aceitava era olhar para uma menina e desejar... Quando isso acontecia, eu ficava com o primeiro menino que tivesse por perto!

Eu trabalhava em uma locadora de DVD... Tudo ia muito bem, até o dia que o filho da minha patroa adoeceu e foi levado ao hospital ficando internado. Como eu estava lá há muito tempo ela me deu a chave, eu abria e fechava a locadora... Um dia o marido dela veio fechar o caixa e trancou a porta... Ele simplesmente me agarrou a força, queria me beijar de todas as formas... Mas eu consegui livrar-me dele e disse:

- Se você voltar a encostar ou simplesmente falar, olhar em minha direção... Eu conto para a Jack o canalha que você é...

Contei a minha amiga, o que aconteceu, ela ficou irritada com ele... Mas no final, acabei conseguindo acalmá-la... Acabei APAIXONANDO-ME por ela... Era um sentimento bonito, eu sentia necessidade de tê-la por perto... Mas novamente o MEDO! Tudo nela me fazia lembrar-me da Kalynne... A TERNURA dos sentimentos... Sentia que eu ainda não estava preparada de fato... E por isso, fiz mais uma bobeira... Afastei-ME dela... Reencontrei-a no meu caminho novamente três anos depois... Hoje o carinho existe, nem mesmo o tempo apagou... Somos amigas! Amigas que torcem pela felicidade uma da outra...

Pedro meu segundo namorado, bonito, alto, loiro, olhos verdes, corpo sarado pela malhação... O tipo de HOMEM que toda mulher do meu serviço babava, não sei por que entre tantas ela resolveu que queria ficar comigo, pensei:

"Vou ficar com ele, vou namorar... Quem sabe eu não consigo VIRAR hetero!" - Eu já aceitava que não era hetero, mas ainda não tinha assumido isso...

O namoro ia bem, com EXCEÇÃO dos dias que estávamos juntos... Na verdade, tudo só ia bem quando nos falávamos no celular, mas quando nos víamos... Eu não conseguia e NÃO QUERIA! Ele acabou desistindo depois de duas tentativas frustradas de irmos para cama... De todos, ele foi um dos mais meninos carinhosos que eu fiquei... Ele era super atencioso, calmo... Não apressou nada, não exigiu nada... Mas depois de um tempo que realmente não rolava nada... Ele desistiu...

Eu pensava "tá não rola nenhum tipo de sentimento é por isso que não dá!"

Coincidência ou não do destino meu melhor amigo é homem e hetero! Nós éramos praticamente GRUDADOS um no outro, sempre o vi como um irmão e gostava muito dele... Saíamos juntos, dividíamos sorvete. Cinema, shows... Tudo juntos! A única coisa que eu não tinha coragem de contar para ele eram os motivos que às vezes eu ficava cabisbaixa e algumas vezes até lágrimas eu tinha nos olhos... Esses momentos eu me lembrava da Lynne e de como teria sido diferente se eu não tivesse feito a burrada de TERMINAR com ela.

Um dia ele me pediu em namoro... Eu pensei "nunca namorei um menino que eu goste... Será que com ele pode ser diferente? Será que é isso o que falta? Eu gostar antes e depois namorar?!", tendo como base esse pensamento ACEITEI o pedido de namoro dele...

Mas tudo MUDOU, eu não conseguia mais tratá-lo da mesma forma, não tinha mais o mesmo carinho... E ficava irritada facilmente... Eu pensei "ou nasci mesmo lésbica, ou tenho problemas... só pode". Ele percebeu e desistiu do namoro, disse que éramos muito mais felizes como melhores AMIGOS... E somos amigos até hoje... E hoje ele sabe de tudo, aceita... Ele é casado e mesmo assim, continuamos nossa AMIZADE!

Numa festa na casa de um amigo, conheci uma MENINA... Linda, morena, cabelos cacheados, os olhos eram duas PÉROLAS NEGRAS, sorriso meigo. Tinha marquinha de biquíni e um corpo de dar inveja, era dançarina. A primeira vez que senti suas mãos em cima das minhas percebi que eram macias e quentes. Tinha as maçãs do rosto um pouco avermelhadas e naquela noite usava apenas um delineador nos olhos e brilho nos lábios.

Verdade seja dita... Até para descrever um homem (simples descrição), não entro em tantos detalhes como faço quando descrevo uma mulher...

Essa menina / mulher acabou me ajudando nesse processo de auto-aceitação... Namoramos por um período de quase dois anos... O namoro acabou, mas a amizade existiu por um tempo...

Então nessa fase eu com 21 anos... Estava disposta a aceitar, começava aos poucos contar aos amigos... E um dia aconteceu... Foi tudo tão de repente que eu nem consegui gritar ou dizer qualquer coisa. Estava no trabalho e a lanchonete seria reinaugurada aquele dia, ainda faltava comprar algumas coisas e eu fui com o boy comprar o que faltava... Fomos uma, duas, três vezes ao supermercado... Quando eu achei que tinha acabado, a Jack aparece dizendo:

- Não temos óleo! Como vamos inaugurar um lugar que só vende pastéis sem óleo?
- Eu vou buscar...
- Mas tem que ser uma caixa no mínimo, será pesado para você!
- Vamos de moto de novo! - respondeu o boy.

Bom se em três vezes nós fomos e voltamos e nada aconteceu... Aquela não seria a vez que aconteceria alguma coisa, não é?! ERRADO!

Voltando para casa ele DESVIOU o caminho, eu fiquei calada, não consegui falar nada, estava estática... Quando percebi, estava em um quarto de motel com ele nu na minha frente...

Entrei no banheiro... E DROOOOGA não tem porta, sai de lá... Ele me pressionou contra a parede e tentava TIRAR minha roupa... Eu já estava aos prantos, CHORAVA e soluçava... Ele percebeu e disse:

- Pelo menos segura...

Ele colocou minha mão no membro dele e fez os movimentos com a mão dele por cima da minha a fim de que ele próprio se masturbasse usando minhas mãos... Pior tarde da minha vida, senti-me um lixo por não ter gritado, por não tê-lo impedido. Sentia o membro dele em minhas mãos e só chorava. Com a outra mão ele segurava no meu cabelo e no meu pescoço e ordenava no meu ouvido:

- Coloca a boca...

Eu forçava a cabeça para trás para não encostar a boca nele... No fim, consegui evitar colocar a boca e quando ele me soltou e em encolhi no chão do quarto chorando e soluçando. Ele ainda chegou perto de mim, totalmente sem roupa, segurou meu rosto com uma das mãos e com a outra segurou o membro dele encostando-o na minha boca... Então ele disse:

- Cala a boca eu já disse! - Ele forçou mais uma vez, mas eu não abria a boca, então ele desistiu e disse:
- Conte para alguém e faço pior da próxima vez... - Ele parou me olhou e disse cuspindo as palavras. - sapatão!

Nunca contei a ninguém... Alias, contei sim... Eu estava nessa época conhecendo uma menina, contei a ela e somente a ela todo o acontecido, eu fui para casa e me esfreguei no banho até machucar a pele das minhas mãos e onde mais ele tinha encostado.

Eu tinha pesadelos todas às noites e algumas dessas noites eu ligava para ela e chorava no telefone. Fiquei com vergonha de vê-la novamente, eu arrumava desculpas. Um dia ela veio em meu local de trabalho e ficou conversando comigo e me esperando até encerrar o expediente.

Acabamos nos acertando e depois de levá-la ao ponto de ônibus eu dei um beijo de leve em seus lábios... Foi o começo do fim aquele beijo!

Um amigo da minha mãe que freqüentava minha casa viu o beijo... E um dia ele esperou eu sair da lanchonete, eu trabalhava próximo de casa... Ele foi andando comigo até chegar à esquina da minha casa... Então, ele me puxou e me segurou dizendo:

- Quero um beijo seu também... Eu sei que você não é sapatão... Você só não encontrou o homem certo!

Lembrei do que recentemente tinha acontecido, mas eu pensei "nenhum homem vai me fazer passar por tudo aquilo novamente", não sei bem de onde, mas arrumei forças e consegui dar uma joelhada nele em suas partes íntimas... Ele me olhou furioso e disse:

- Você vai ver CADELA - sim ele me chamou de cadela - Isso vai ter troco!

Eu abri o portão de casa ofegante, daquela vez eu fui à vitoriosa... Mas só daquela vez... Ele realmente vingou-se...

Eu já não agüentava mais aquilo, quantos teriam que tentar fazer alguma coisa até conseguirem de fato... Então num dia cheguei a minha casa e ele estava lá... E ele contou que eu era sapatão, que estava chorando porque uma mulher me deu o pé na bunda - DETALHE... Os recentes choros tinham sido provocados pelos homens. - Com exceção da Lynne... A única mulher que tirou lágrimas minhas... E na verdade fui eu mesma quem fiz com que isso acontecesse, pois chorei durante um ano por ela... Pela perda do grande amor, pela burrice feita, pelo medo de não assumir, pela idiotice de tudo... Com exceção deste episódio EU NUNCA TINHA DERRAMADO LÁGRIMAS POR NENHUMA MULHER!

Mas enfim, chegou o grande dia... Minha mãe ficou sabendo (FICAR sabendo seria algo tão natural, SE o cara que tentou me AGARRAR não tivesse contado da pior forma, ele disse que eu chorava por que tinha levado um pé na bunda de uma MULHER que eu amava, enfim... Ela falou TANTA coisa, e ESTA foi à vingança dele), e como eu esperava... Minha mãe mandou-me EMBORA de casa... Ela me deu um prazo de três meses... Mas acredito que ela falou aquilo em um momento de raiva... O problema foi que eu levei muito a sério... Com três meses sai de casa...

E sabe o que era pior disso tudo?! É que eu sempre tinha sido filha exemplar, aquela que na escola sempre (leia-se SEMPRE com letras maiúsculas) tirava notas boas na escola; lembro na época quando eu tinha uns 13 / 14 anos, meu irmão estava no primário e era um verdadeiro pestinha, implicava com os professores, respondia na sala, brigava e não fazia atividades em classe e nem tampouco as lições de casa, os professores dele eram o mesmos que tinham dado aulas para mim e eles diziam para ele "porque você não pode ser comportado e inteligente como sua irmã?" outros diziam "como pode do mesmo útero sair duas crianças tão diferentes!"... Comparando ele comigo, minha mãe era sempre chamada na escola para assinar advertências dele, quanto a mim era sempre porque "sua filha ganhou medalhas de melhor aluna... de melhor leitora... de melhor isso e aquilo!" Fora da escola, eu era aquela que fazia de tudo, limpava arrumava, cuidava da casa... Sempre fiz as "obrigações" de uma mulher na casa... Era a mais obediente, a mais calma...

Enfim, era a menina perfeita, todos admiravam e se sentiam orgulhoso... MAS (é sempre tem o "MAS")... MAS eu era lésbica (MEU MAIOR DEFEITO), gostava de outra mulher e isso fez com que eu decaísse no conceito de todos... Já não era tão certinha assim e as coisas que por ventura dava errado não eram mais "porque não chegou à hora certa" e sim "porque você tem esse gosto estranho", "porque você tem que mudar de vida", eu lembro que até isso "foi essa bosta de internet que você fica grudada a note inteira que fez você ter esses gostos estranhos" eu ouvi...

Seria CÔMICO se não fosse TRÁGICO!

Ouvi as famosas frases: "O que foi que eu fiz para merecer isso? Onde foi que eu errei?", e foi no meio desse turbilhão todo, resolvi assumir... As pessoas que eu julgava importantes para mim eram as que mais me julgavam... Cansei...

Gritei a todos os ventos e não me importava mais se iriam ou não gostar... Eu falava "sou lésbica sim, e daí... O que você tem haver com isso?", alguns diziam nada, outros viravam a cara... Mas eu tinha tirado um peso das minhas costas...

A aceitação (aliás, aceitação não, talvez uma parcela mínima de RESPEITO) veio alguns anos mais tarde... Quando eu QUEBREI o joelho... E de todos que se DIZIAM MUITO AMIGOS, que diziam que um dia eu veria o ERRO que estou cometendo e tudo mais... Todos que diziam que ESTAVAM AO MEU LADO para ajudar e tudo mais... Desses aí quem ajudou? Ou uma visita... Quem fez apenas uma visita?! Afinal, fiquei de molho sem poder me mexer... Alguém desses?!

NÃO NENHUM DESSES... Quem esteve até então ao meu lado foi a namoradA! Sim ELA mesma... Levou-me ao hospital, acordava de madrugada quando eu sentia dores, levantava para pegar remédios... E tudo isso! As visitas?! Bom, as visitas eram basicamente de amigas que tinham namoradAs.

A família?! Bom a família viu e acompanhou tudo isso... A queda, os cuidados, a namoradA.
A mãe? Humn... A mãe diz que hoje aceita... Mas eu acho dizer que no máximo ela respeita! Porque se hoje eu ligar e falar:

- Vou casar com um cara!

Independente de quem seja o cara... Se bem ou do mal... Bom ou ruim... Enfim, qualquer que seja... Ai sim ela ficará feliz...





As namoradas? Bom, elas ficaram no PASSADO... Cada uma há seu próprio tempo... A distância dos amigos e da família hoje impregna em minha vida... São POUCOS os amigos... Mas os poucos são verdadeiros!



Quando DECIDI começar uma NOVA vida, em um lugar novo, com pessoas diferentes, comida diferente, manias diferentes... Simplesmente peguei o MELHOR DE MIM, guardei tudo dentro de uma mochila e me aventurei, aliás, continuo me aventurando... Minha decisão foi baseada somente em mim e ninguém mais, sinto falta dos grandes amores de minha vida... Sinto falta do carinho do carinho da minha avó, sinto falta daquele olharzinho dela de preocupada, sinto falta de todas as vezes que ela entrava no meu quarto e falava "boa noite minha filha!"... Já pensei em desistir e voltar atrás para ficar com ela, mas sei que minha avó deseja o MELHOR para mim, assim como, quer me ver BEM... Sinto falta daquele moleque que sempre que eu o vejo vem correndo e pula no meu colo, o jeito dele segurar na minha mão, o jeito dele me olhar e dizer "No amo você!"... São esses amores da minha vida e que eu REALMENTE sinto falta!

Hoje meu ponto de PARADA tem sido esta cidade louca, lugar de gigantes (onde eu me sinto uma formiguinha), Selva de Pedras... Mas digno, por ser a maior metrópole do Brasil... Eu que sou do MATO... Acho que ainda vai DEMORAR um bom bocado para acostumar... Mas eu CONSIGO! "eu acho!".

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Sobre RELACIONAMENTOS... Hoje tenho um pensamento um pouco diferente. Aprendi nos livros muitas coisas, entre essas muitas coisas, aprendi que o melhor da vida é como diz a raposa cativar e ser CATIVADO! Como ela explica na conversa:

E foi então que a raposa apareceu:
- Oi. - Disse a Raposa.
- Oi. - Disse o Principezinho procurando de onde saíra à voz.
- Estou aqui. - Disse a Raposa. - Debaixo da relva.
- Quem és tu. - Perguntou o Principezinho.
- Sou uma Raposa. - Respondeu a Raposa.
- Tu és bem bonita! - Pensou por alguns instantes e disse: - Vem brincar comigo, estou tão triste!
- Eu não posso brincar contigo. Não me cativaram ainda! - Disse a Raposa.
- Que quer dizer cativar? - Perguntou o principezinho.
- Tu não és daqui! - disse a Raposa. - Que veio fazer aqui?
- Estou à procura de amigos... - Insistiu o Principezinho. - Mas, que quer dizer cativar?
- É uma coisa há muito esquecida... - e a Raposa continuou dizendo. - Significa CRIAR laços. Tu não és para mim como a cem mil outros garotos e eu não sou para ti como a cem mil outras raposas... Mas se tu me cativas, eu serei única no mundo para você... E você... Você será para mim ÚNICO no mundo!

Após uma breve reflexão a Raposa disse:

- Por favor, CATIVA-ME!

"Eu busco um relacionamento:
De sorrisos meigos;
Palavras carinhosas;
E passeios de MÃOS dadas!"